
Como você ocupa seu tempo?
Trim-Trim! Acordo ao som do despertador e me deparo com a rotina de ir para o trabalho, pegar ônibus, estudar, pagar contas… Aff! Todos os dias a mesma coisa, com exceção dos finais de semana quando há um aniversário ou recebo um convite para sair. Andei pensando quanto tempo gasto em busca da felicidade? O que é ser feliz?
Tentando encontrar a satisfação pessoal vejo que muitos acabam por se desesperar diante de um mundo cruel e violento, optam por adentrar no mundo da criminalidade. Há um tempo atrás quem imaginaria tsunamis? Doenças virais se alastrando? Violência urbana tão declarada nas ruas todos os dias? Desde a última segunda-feira (07/09) a população baiana tem vivido momento de tensão, colégios sem aula devido a ameaças de ataques, ônibus incendiados, postos policiais sendo destruídos… O que me levou a repensar valores e posturas que tenho do caos social que até então sempre convivi sem muitas crises.
Eu trabalho o mês inteiro, ralando pra ganhar meu pão de cada dia e vem um ladrão e me rouba! Tem que morrer na prisão! Pensava assim até que me peguei numa tarde deitada estudando ciências sociais e vi uma história que, em suma, dizia que “o bater das asas azuis de uma borboleta no norte pode trazer grandes vendavais ao outro extremo da terra”, uma borboleta? Tão pequena?!
Tempos depois ouvi que se um escorpião picar a pata de um elefante o derruba, e que são nos menores frascos que se encontram os melhores perfumes, e os piores venenos! Tudo que fizermos por menor que seja, mesmo que sem testemunhas humanas há uma que nunca nos abandona – a nossa consciência. Pequenas atitudes geram grandes mudanças no âmbito em que surgem, e melhor que isso, provocam no outro um otimismo de que o futuro pode ser diferente. Tic-tac, tic-tac e o relógio da vida não pára, registra momentos, denomina espaços e nos convoca a neste segundo que passa pensarmos numa felicidade que só será completa quando a pudermos viver num mundo onde o outro possa vivê-la também.
Tai, para muitas pessoas a simples oportunidade de viver esta rotina que o relógio da vida oferece seria um motivo especial para ser feliz, sendo assim observo que, no geral, o que acontece com o Ser humano é a falta de dar valor às coisas simples da vida. Muitas vezes esperamos desesperadamente que a tal felicidade tão desejada nos visite por meio de grandes acontecimentos, que raramente viveremos, no entanto, nos dias corridos em que vivemos, sempre apressados e ansiosos por tudo e para tudo, (sempre fazendo três coisas ao mesmo tempo), hesitamos, por exemplo, em parar para observar nossos filhos, registrando no nosso coração, momentos que, certamente, jamais viveremos e, com certeza, teremos saudades muito brevemente, porque eles crescem. Não temos muitas vezes também, por exemplo, a paciência suficiente para com os nossos pais, nossos avós, porque não paramos para pensar que, daqui há alguns anos, não os teremos em nossa companhia diária e isso, com certeza, nos deixará um vazio imenso. Enfim, passamos a idealizar como felicidade sempre algo que não nos pertence, ou porque nunca as tivemos, ou pior, porque não demos a elas, (à essas coisas), o valor necessário, e as perdemos. Diante das adversidades diárias da vida, procuremos promovê-la (a felicidade), no meio em que vivemos, reconheçamos e agradeçamos por tudo o que somos e temos, e só assim, analisemos novamente, a cada tempo vivido, o que é realmente ser feliz.
Por: Cristiani Ranolfi em 16/09/2009
às 12:04